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◊NOVEMBRO 2008 - NOVO

PAISAGEM CONSTRUÍDA

PAISAGEM RECONSTRUÍDA

Reconstruir, no sentido de restaurar as históricas paisagens valencianas é o sonho que desejamos ver materializado num futuro próximo.

Essa responsabilidade, esse dever a cumprir, já estão previstos no Plano Diretor Participativo da cidade e todos nós sabemos que não há desenvolvimento sustentável, responsável, sem a preservação da memória histórica e cultural de qualquer população, memória traduzida em seus saberes e fazeres.

É com essa esperança e confiança de ver Valença retomar sua importância na região do Vale do Paraíba Fluminense, que aproveito para externar meus votos de sucesso e realizações à nossa querida Dilma Dantas, Diretora de Cultura desta Casa Léa Pentagna e a Vicente Guedes, eleitos Prefeito e Vice Prefeita em 05 de Outubro.

Vivemos num mundo hoje globalizado, informatizado, que gira em velocidade máxima as informações, fazendo do planeta uma “aldeia global”.

Mas segundo alguns pensadores da atualidade, a globalização promove também uma crise de identidade nas sociedades contemporâneas. ¹

Recuperar a paisagem histórica, seus patrimônios culturais, especialmente o imobiliário, o arquitetônico, passou a ser cada vez mais a preocupação das nações como uma forma de se revelar a cultura e a trajetória de civilização dos seus povos, já que podemos entender que as obras de arquitetura são como esculturas nos museus a céu aberto que são as cidades.

Conseqüência natural, o desenvolvimento da economia turística valoriza a manutenção do patrimônio mundial com suas mais belas e exóticas expressões artísticas.

No entanto, o resgate de identidade deve ser um objetivo anterior ao faturamento imediatista através da indústria do turismo cultural e de sua necessária exploração do passado histórico.² Se para qualquer projeto de turismo, especialmente o cultural, chega-se à conclusão de que se tem que arrumar tudo na maioria das pequenas cidades brasileiras do interior, há décadas abandonadas de suas tradições de planejamento e desenvolvimento urbano, sim, porque não se pode receber turistas em meio ao caos dos serviços, da poluição visual, enfim, não se pode receber turistas para mostrar a nossa miséria presente, ainda que com vestígios de um passado glorioso mas distante, estranho, estrangeiro, mítico; então chega-se fácil à compreensão de que estamos a arrumar cidades para “inglês ver”, e não para dar condições agradáveis e dignas para a população local.

Assim fica fácil também entender porque tantos “parques temáticos” mundo a fora, muitos deles totalmente falsos, calcados em história nenhuma, para lá de oportunistas, como por exemplo, os túmulos construídos para algumas figuras realmente míticas da antiguidade, na Grécia atual ou o de Jesus Cristo, em Jerusalém, onde se cobra em dólares para se entrar na tenda (árabe) que envolve o seu túmulo, em granito polido e de formato tão retangular quanto os nossos, e que já se encontra no interior de um templo cristão. Realmente é espantoso!

Mas não vamos aqui ficar exemplificando esses “parques temáticos” onde se chega a construir falsas ruínas Romanas em um lugarejo qualquer de Portugal.

Vamos pensar nossa cidade de forma a que a valorização da nossa cultura, do nosso patrimônio cultural, não só o material móvel e imóvel, mas o imaterial com suas várias manifestações e expressões artísticas, venha juntamente com uma arrumação de toda a cidade e que promova um desenvolvimento sustentável, ecologicamente correto e socialmente justo. Valorização e recuperação de nossa memória histórica primeiramente para nós mesmos e assim ter autenticidade na cultura a ser exposta. Ter um turismo cultural como fonte extra de recursos, mas principalmente como conseqüência de um desenvolvimento não mais para “inglês ver”, mas para a própria população local, no nosso caso, para nós Valencianos, com todo o peso que tivemos na construção do nosso país.

É óbvio que apesar dos “parques temáticos” existem inúmeros locais que por preservarem suas histórias e garantirem um nível de vida chamado “de primeiro mundo” aos seus cidadãos, atraem e encantam turistas, esse “homem viajante”,³ não mais sedento só de lugares míticos, pertencentes a um tempo e espaço por ele imaginados, estranhos, estrangeiros, desconectados da realidade, mas turistas que num cenário que revela a história passada de uma gente, quer e pode encontrar também a essência da vida, revelada pelos sentimentos mais saudáveis da alma humana, como por exemplo: a calorosa hospitalidade, a fraternal solidariedade, o puro e amoroso aconchego.

Branca Ribeiro Figueira
Arquiteta
Diretora do Centro de Estudos de
Preservação e Desenvolvimento de Valença.

1, 2, 3 - conforme “Patrimônio Cultural na Contemporaneidade” de Hernán Venegas Marcelo – Valença em Questão nº. 33, apud in HALL, Sturt. Da diáspora. Identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. p.87. GARCIA CANCLINI, Nestor. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. 4ª Edição, rio de Janeiro: UFRJ , 2005.p.117.

POESIA, ...... PORQUE NÃO?

Elegias

Para Afrânio, meu filho.

Em seu leito de flores com ele dormiam
os sonhos de amor que minh’álma perdera
e meus olhos cansados, já secos, só viam
chorarem as velas suas lágrimas de cera ...

Para Maria, minha irmã.

Maria tinha as mãos bonitas
não sei se fadas ou de artistas
só sei que Maria tinha as mãos bonitas
Em seu leito de flores, suas mãos tão frias
Não sei se de santas ou de Marias ...
Só sei que Maria, tinha as mãos bonitas.

Blandina Ribeiro Figueira

 


◊JUNHO 2008

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

O CORETO DA PRAÇA VISCONDE DO RIO PRETO

Os coretos, com suas tipologias arquitetônicas próprias, estão ainda muito presentes nas praças das pequenas cidades do interior fluminense. Simbolizando o prazer e traduzindo os sentimentos populares em diversas ocasiões e de várias maneiras: espaço para solenidades cívicas, palanque de campanha política, palco de manifestações culturais, têm sido desde o início, sempre e fundamentalmente o lugar da retreta da banda de música com seus dobrados, valsas e maxixes.

Surgiram à época da adoção do espírito romântico na concepção da arquitetura, das praças e jardins onde, pela beleza de sua arquitetura e por seus aspectos pitorescos, destacaram-se na paisagem urbana, como jóia a enfeitar um traje de gala.

Típicos desse período Romântico devem seus detalhes exóticos, muitas vezes, à importação de elementos fabricados em ferro em países como a Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha, desde a revolução industrial no século dezenove.

O belíssimo coreto da Praça Visconde do Rio Preto, construído em 1916, no estilo conhecido como Art-Nouveau, fica no centro da praça e é percebido propositalmente à distância, na perspectiva da Rua Dr. Figueiredo, já que esta foi uma das primeiras ruas de um plano de urbanização de traçado neoclássico, que era o que de mais avançado se tinha na época, criando assim a agradável ambientação romântica das cidades de interior.

O coreto é de refinada execução. A leveza de sua estrutura e de sua cobertura metálica sobre embasamento em alvenaria, confere a delicadeza característica desse tipo de mobiliário urbano que equipou as praças das cidadezinhas nos primeiros anos do século vinte. A qualidade do trabalho executado em ferro pode ser percebida também na escada de acesso, no gradil e nos elementos que compõem o beiral. No encontro de cada água do telhado com o beiral correspondente, gárgulas como se fossem lagartos cospem as águas da chuva. Que bela é essa nossa paisagem construída na “Belle Époque”..

Pesquisa: Painéis fotográficos da exposição realizada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC por ocasião das comemorações dos 40 anos de sua existência.


Branca Ribeiro Figueira
Diretora do Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença.


◊ DEZEMBRO 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

PAISAGEM CONSTRUÍDA - VALENÇA – 150 ANOS – PATRIMÔNIO CULTURAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

No mês de novembro a Fundação Cultural e Filantrópica Lea Pentagna e o Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença, promoveram uma exposição em comemoração aos 150 anos de Valença cidade, composta de painéis fotográficos dos bens culturais do Estado do Rio de Janeiro.

Os painéis foram cedidos pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC que os elaborou por ocasião de seus 40 anos.
Na abertura da exposição foi feita uma homenagem ao Dr. Marcus Monteiro, Diretor Geral do INEPAC, firmando nossa gratidão a esse ilustre valenciano que tão bem tem representado nossa cidade e que promoveu a proteção legal da história e da beleza de Valença através do tombamento de seu centro histórico.

O INEPAC tendo à frente o Dr. Marcus Monteiro tem realizado importantes ações de cuidado com o patrimônio histórico e cultural do Estado. O Inventário chamado “Caminhos Singulares”, por exemplo, resgata a história e a importância dos antigos caminhos do Ouro, do Açúcar, do Café e do Sal, fontes de riqueza e desenvolvimento para o Estado do Rio em outras épocas. Esse trabalho subsidia novas diretrizes de investimentos público/privado para a valorização de todas essas áreas ricas de história e beleza que agora podem e devem ser aproveitadas de uma nova forma.   

O INEPAC que é o Órgão Governamental que cuida da preservação da memória cultural do Estado do Rio de Janeiro, teve origem na Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico, órgão do patrimônio cultural anterior à fusão dos antigos Estado do Rio de Janeiro e da Guanabara, criada em 31 de Dezembro de 1964.

A criação dessa Divisão foi motivada por uma nova preocupação que se impunha naquele momento político e social, que era a necessidade de ampliar o entendimento e os conceitos do que era o patrimônio histórico e artístico.

Não apenas o patrimônio histórico remanescente das épocas colonial e imperial ou não apenas o valor erudito ou histórico do bem, mas tratava-se de proteger da ameaça de destruição um tipo de bem cultural de natureza diferente, ampliando-se os conceitos tradicionais, dentre os quais a arquitetura eclética desvalorizada pela política preservacionista de então, e os bens paisagísticos.

Os primeiros tombamentos recaíram sobre: o Campo de Santana, a Sede do Real Gabinete Português de Leitura, o Teatro Municipal, o Instituto de Educação, a Ilha de Brocoió, dez árvores em Paquetá, A Figueira Gigante da Tijuca, o antigo Jardim Zoológico de Vila Isabel, o Parque Ary Barroso com seus 50 000 m2, a Reserva Biológica e os morros da Baixada de Jacarepaguá.

Claro que outros tombamentos se seguiram, em bens mais antigos dos séc. XVII , e XVIII. A Igreja de São João Batista com origem no séc. XVIII, ampliada em 1846 quando a localidade de Barra de São João foi elevada á categoria de Vila, é um exemplo e tem no cemitério dos fundos, da extinta irmandade do Sumo Sacramento, os túmulos do poeta Casimiro de Abreu e o do seu pai.

Também a arquitetura moderna tem sido protegida, como o  Teatro Armando Gonzaga em Marechal Hermes, teatro de 300 lugares projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy  e construído em 1950 no espírito da lei sugerida por Paschoal Carlos Magno, que buscava levar a cultura aos subúrbios cariocas através da construção de teatros. Seus jardins são de Burle Marx. Affonso Eduardo Reidy foi um dos grandes nomes e precursor do modernismo na arquitetura brasileira, tendo projetado o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro dentre outras importantes obras.


Assim creio ser um orgulho para todos nós vermos Valença, sesquicentenária, integrando essa mostra dos patrimônios históricos e culturais do Estado do Rio de Janeiro, e sendo reconhecida pelo INEPAC como merecedora de estar entre as riquezas do nosso Estado.

Os nossos votos de vida longa para Valença e de que com boa vontade possamos, todos nós valencianos, trabalhar para a verdadeira prosperidade da cidade de forma respeitosa para com a memória histórica e artística da Princesa da Serra, do Vale do Paraíba Fluminense.   

Branca Ribeiro Figueira
Diretora do Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença.


◊ SETEMBRO 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

PAISAGEM CONSTRUÍDA - ANIVERSÁRIO DE VALENÇA

“Um estágio avançado de crueldade é a desambientação do ambiente, ou seja, sua degradação voluntária, ainda que, por vezes, ela venha a ser enganosamente apresentada como valorização ou adaptação às exigências da vida moderna."

Giulio Carlo Argan

No dia 29 de Setembro de 1857, através da Lei nº. 961, Valença foi elevada à categoria de Cidade, tornando-se uma das “Capitais do Café” do Vale do Paraíba.

É neste período que surgem na cidade os prédios públicos e particulares mais imponentes, os espaços livres pensados para serem jardins, as fontes de água, pois as ruas, planejadas com traçado ortogonal, já estavam abertas.   

Entre as mais importantes construções deste período estão: o Paço Municipal de 1854, a Santa Casa de Misericórdia de 1857, a Matriz de Nossa Senhora da Glória de 1857, o chafariz de cantaria da Praça XV de Novembro de 1850, e o Cemitério do Riachuelo de 1850. Dentre os imóveis de particulares, podemos citar o Casarão, hoje em ruínas, construído por João Francisco de Souza em 1855, o palacete do fazendeiro Antonio Vieira Machado em 1856, hoje Colégio Benjamim Guimarães, e o palacete do Visconde do Rio Preto, o mais luxuoso da cidade, de 1858, atual colégio Theodorico Fonseca.

Quando em 2003/2004 tivemos o prazer de fazer parte da equipe que elaborou o Inventário dos Bens Culturais Imóveis de nossa cidade, não só aprendemos muito sobre sua história e sua arquitetura, como também trocávamos entre nós os conhecimentos adquiridos nas pesquisas.

Neste mês em que se comemoram os 150 anos da cidade, aproveito para transcrever um belo texto do Inventário que apresenta Valença com toda sua história e poética. Ninguém mais se não o próprio autor, o professor Gilberto Monteiro, na época Secretário Municipal de Cultura e Turismo e Coordenador da equipe que trabalhou no inventário, poderia captar de forma tão sintética tudo aquilo que descobríamos e trocávamos com  avidez, embalados por um sentimento misto de orgulho por sermos valencianos e de prazer cultural por reconhece-la  tão bela e tão histórica.    

A história do casario, das praças e ruas de Valença é variada como variados foram os períodos econômicos da cidade.


A simples vila, voltada para o comércio e para o acolhimento de viajantes, que se deslocavam entre Minas Gerais e a Corte foi, com o correr do tempo se transformando em centro de outras atividades.


Os barões e viscondes do café construíram verdadeiros palácios na zona rural, mas também deixaram marcas arquitetônicas na cidade quer seja em suas residências urbanas ou em obras de sua benemerência.


A economia do município ao mudar de rumo e abraçar a indústria, principalmente a têxtil, e a agropecuária, de novo iria deixar marcas na construção urbana.


Os fazendeiros de então buscavam muito a vida citadina que lhes proporcionava numa, quase ilusão, a luz elétrica, o papo na Rua dos Mineiros, enfim um maior contato humano. A mentalidade passou a ser a de se construir uma boa casa na zona urbana. Alguns dos prédios que resistem não são, nem o palácio do barão e nem a casa simples do operário das fábricas que por aqui se multiplicavam, mas sim, a casa desse novo proprietário rural.


A fase industrial de Valença foi muito marcante e deixou inúmeros exemplares arquitetônicas.  Alguns não mais existentes e hoje, só comprovados com fotos, outros porém, muito interessantes como as vilas operárias, casas construídas para os funcionários fabris.


Numa leitura cuidadosa da evolução urbana, quer seja pela iconografia histórica ou pelos exemplares ainda existentes, podemos constatar que se a  arquitetura colonial deu lugar a uma outra mais requintada, eclética e art-deco, esta por sua vez, foi se perdendo, nem sempre para uma arquitetura de qualidade, porém para uma outra arquitetura, reflexo das várias crises econômicas no pais e, por conseqüência, em Valença.


O valenciano e os visitantes ao percorrerem as ruas da cidade encontram construções ora suntuosas, ora muito simples, que misturadas ao que hoje se constrói, são verdadeiros relicários do bom gosto. Bom gosto que nunca deve ser confundido com a ostentação e riqueza.


São relicários que num verdadeiro caleidoscópio, nos transportam ao passado e que devem ser preservados porque contam uma história.


Somando-se a essas construções encontramos as leves ondulações, subidas e descidas, que juntamente com as praças, jardins e parques conferem a Valença uma singular beleza.


O futuro de todos depende da história que é contada pelo passado.


Penso que se não formos capazes de valorizar a nossa história, salvaguardando a memória material e imaterial, e distinguindo com clareza os erros e acertos do passado, não conseguiremos avançar para um futuro melhor, pois, apenas uma geração, sem história, sem passado e, portanto sem referências culturais sólidas, é suficiente para deixar a cidade á deriva.

Branca Ribeiro Figueira
Diretora do Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença.


◊ AGOSTO 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

OS JARDINS HISTÓRICOS E AS PRAÇAS DA CIDADE

Nossa cidade, surgida no início do séc. XIX, foi planejada dentro dos cânones do neoclassicismo. Embora seguindo as regras da urbanização colonial, de casas e sobrados geminados, de beirais alinhados e quintais estreitos e arborizados, suas ruas já eram ortogonais e não mais de traçado orgânico e livre, típico da urbanização medieval.
Suas ruas foram projetadas de forma a garantir sempre uma bela perspectiva. Às vezes, o marco referencial para o qual se mirava era uma imponente edificação, como por exemplo, a Catedral de N. S. da Glória, ou o prédio da Santa Casa, mas uma outra preocupação era propor um outro tipo de marco de referência que eram os espaços livres, ajardinados, que embelezavam a cidade e serviam de área de lazer. Os dois primeiros grandes espaços livres propositalmente projetados para serem jardins que nossa cidade ganhou no inicio de sua urbanização foram a atual Praça XV de Novembro e a Praça Visconde do Rio Preto. Depois viria a Praça Paulo de Frontin já no séc. XX, formando um quadrilátero funcional ferroviário, ainda hoje totalmente preservado. E que beleza as palmeiras imperiais dessas praças revelam marcando referencialmente a paisagem da cidade.
A proposta desse tipo de jardim, era não só de trazer a natureza para dentro do espaço urbano como também propiciar um tipo de lazer chamado de “contemplativo”, ou seja, o passeio solitário ou o descanso. As atividades coletivas que aconteciam nesses jardins, nas cidades pequenas do interior, eram as retretas da banda de música e a oportunidade da “paquera” de namorados, ou um concerto musical vindo da capital, ou ainda um comício político.
Os nossos jardins históricos, pulmões da cidade, “o mais rico adereço dentre as preciosas jóias da cidade” no dizer do nosso poeta Custódio Costa sobre a Praça XV de Novembro, deveriam ser preservados com sua função original como, aliás, acontece em várias cidades do mundo.
O que ocorre atualmente é o uso inadequado desses jardins (chamados impropriamente de praças) por falta de praças funcionais, de lazer “ativo”, mais indicadas para bairros, predominantemente residenciais. Praças, onde se podem projetar espaços muito mais interessantes e mais bem dimensionados para se atender as diferentes faixas etárias.
“A Praça XV de Novembro foi projetada pelo paisagista de D. Pedro II, August François Marie Glaziou, no estilo jardim inglês do séc. XIX, jardim de paisagem, possuindo alamedas de desenho orgânico, cheio de curvas e canteiros elevados por ondulações como “morrotes” muito ao gosto do período do romantismo, a Belle Èpoque. A associação das plantas brasileiras com as de origens estrangeiras que eram importadas para a colocação específica em seus projetos, criou sua marca fazendo com que os espaços por ele organizados fossem verdadeiros paraísos, o paraíso terrestre, o jardim do édem ou o jardim de delícias criado por Deus e dado de herança a Adão. Ele foi sem dúvida um dos maiores paisagistas europeus da época em que viveu e deixou aqui em Valença, sua marca, nesse belíssimo jardim.” ( extraído do Inventário dos Bens Culturais Imóveis de Valença, e tendo sido escrito pela própria colunista).
A Praça Visconde do Rio Preto e a Praça Paulo de Frontin tiveram um desenho de inspiração também nos jardins franceses de “parterres de broderies”, ou seja, de tabuleiros bordados de flores que foram desenvolvidos na França do séc. XVIII e aqui no Brasil no séc. XIX no período do neoclassicismo.
Nossa cidade, ainda que tendo algumas praças de bairros, carece de outras, mais centrais e equipadas para atividades culturais e de lazer contemporâneo. Na Memória Justificativa de um projeto de praças para um conjunto habitacional, por mim desenvolvido para a COHAB de Volta Redonda onde trabalhei, eu descrevia os espaços propostos para as diversas faixas etárias que neste caso estavam distribuídos em três praças. Na justificativa da praça desenvolvida para o público infantil procurei mostrar a responsabilidade que este tipo de projeto requer, inclusive porque envolvia os projetos construtivos dos próprios brinquedos, alguns em madeira e outros em alvenaria.
“A satisfação com a praça se deve principalmente á existência do espaço, da vegetação, de ar puro, que mesmo sem a presença de outros equipamentos, possibilita tanto o descanso como jogos e brincadeiras infantis.
Projetar para a infância é como projetar postos de trabalho: a uma correta proposta distributiva e estética ocorre uma resposta lógica e produtiva. Por esse motivo projetar para criança é coisa delicada. E delicadíssimo é projetar a própria “máquina de brincar”, ou seja, os brinquedos.
Não é por acaso que os jogos ao ar livre são aqueles que restam mais arraigados na memória do indivíduo adulto. Porque brincar ao ar livre é o jogo por excelência.
Se o extenso ambiente natural do campo fornece ocasião e estímulo contínuo para as atividades infantis, na cidade, obviamente, a questão não é muito simples e o lugar para os jogos necessita ser propositalmente projetado. Pouco importa que esse lugar seja o jardim de uma escola ou ainda uma pracinha de um bairro ou de um conjunto habitacional.
O que importa é que este espaço permita desfrutar ao máximo sua potencialidade e no qual a criança possa não só se divertir, mas antes, crescer fisicamente e intelectualmente. A percepção do mundo pela criança é através do seu corpo. É a percepção do movimento das coisas fora do próprio corpo que permite a criança realizar sua existência no espaço. A criança descobre seus atributos (o movimento, a gesticulação, a voz) e passa a descobrir a própria possibilidade de relação, não só com as coisas, mas antes com as pessoas. É esta fase que corresponde a um dentro/fora, coberto/descoberto, meu/teu, concreta tradução elementar da complexa abstração construída pelas relações sociais.” (texto extraído da Memória Justificativa de um projeto de praças elaborado pela própria colunista).
Na verdade a nossa cidade carece é de planejamento urbano, de preferência discutido com seus moradores através de um projeto municipal de Orçamento Participativo, que permite o diagnóstico dos problemas e necessidades de cada bairro e conseqüente priorização das soluções e ainda, tendo os projetos e as obras qualidades que os bons profissionais podem apresentar.
Além dos jardins de uma cidade, suas praças devem estar pensadas para a vida contemporânea, oferecendo espaços projetados para cultura e esporte e atendendo as diversas faixas etárias.
A revitalização dos nossos jardins dentro de parâmetros que valorizem suas características históricas e obedeçam a seus usos adequados passa, necessariamente, pela construção desses novos espaços livres equipados com um mobiliário urbano adequado para que assim se possam ter os espaços de lazer “passivo” e os novos espaços de lazer “ativo” que também floridos, ajudem a valorizar o título de “Princesa da Serra” para Valença.


◊ JULHO 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

O CRISTO REDENTOR - “Maravilha do homem, maravilha do mundo”.

A recém eleição do monumento “Cristo Redentor”, localizado no alto do morro do Corcovado no Rio de Janeiro, como uma das sete novas maravilhas do mundo não poderia deixar de ser comemorada em nossa coluna, porque paisagem construída belíssima, esteticamente falando, além de prodígio da engenharia nacional.
Todos nós ouvimos desde pequenos a falar das sete maravilhas do mundo, afinal esses grandes feitos históricos têm sido inspiradores de vontade e sonho de realizações notáveis para todas as nações.
Seis das Sete Maravilhas do Mundo Antigo desapareceram faz tempo. As pirâmides de Gizé (Quéops, Quéfren e Miquerinos) no Egito são as únicas sobreviventes e, portanto, foram candidatas honorárias na atual eleição.
A lista original feita pelo arquiteto Filon de Bizâncio por volta de 200 a.c., era limitada a seu mundo conhecido, a bacia mediterrânea:

  • As pirâmides de Gizé, no Egito,
  • O Farol de Alexandria, Ilha de Faros no Egito,
  • Os Jardins Suspensos da Babilônia no atual Iraque,
  • O Colosso de Rodes situado na Ilha de Rodes na Grécia,
  • A Estátua de Zeus em Olímpia - Grécia,
  • O Templo de Ártemis em Éfeso na Turquia,
  • O Mausoléu de Maussolos em Hilicarnasso também na Turquia,

O cineasta suíço-canadense Bernard Weber, inconformado com as lacunas no legado de Filon, organizou uma votação popular na internet para atualizar a lista.
A equipe de Weber lançou o projeto com uma lista de 177 locais e depois a reduziu para 77. Um grupo de 21 sobreviveu para a rodada final, lançada há um ano. O catálogo de Philon ficou de fora – à exceção das pirâmides, únicas sobreviventes e, portanto, “hors concours”.
Weber passou seis anos reunindo apoio e anunciou o resultado do concurso promovido pela Fundação Sete Novas Maravilhas do Mundo em Lisboa no último dia 7 de Julho. Ele diz que seu projeto é a primeira votação global da história.
Seu objetivo declarado é celebrar e proteger os maiores monumentos construídos pelo homem. A metade da renda líquida do projeto será destinada à restauração de monumentos selecionadas ao redor do mundo, como as estátuas dos Budas de Bamiyan, no Afeganistão, destruídas pelo Taleban, fato que motivou a iniciativa do cineasta.
O concurso, de origem privado, não teve o apoio da Unesco que considera que a votação não teve critérios científicos e apenas reflete a opinião das pessoas que têm acesso a um computador.
As sete novas maravilhas do mundo eleitas em votação global são as seguintes:

1ª - Grande Muralha na China,

2ª - Cidade Antiga de Petra na Jordânia,

3ª - Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil,

4ª - Sítio Arqueológico de Machu Picchu no Peru,

5ª - Pirâmide de Chichen Itzá em Yucatán, México,

6ª - Coliseu em Roma, Itália,

7ª - Taj Mahal na Índia.

O monumento candidato do Brasil, o Cristo Redentor, foi idealizado em 1921 para comemorar o centenário da independência no ano seguinte. A pedra fundamental foi realmente colocada em 1922, mas sua construção só começou após quatro anos em 1926 e terminaram em 1931.
O projeto da estátua foi desenvolvido por dois brasileiros: o engenheiro e arquiteto Heitor da Silva Costa e o artista plástico Carlos Oswald. O escultor francês de origem polonesa Maximillien Paul Landowiski foi quem deu vida ao desenho do artista plástico, trabalho em pedra sabão, que levou cinco anos para ser concluído. Ele, porém, nunca chegou a visitá-lo.
No projeto original a estátua seguraria o mundo em uma mão e a cruz na outra, mas o Cardeal Leme pediu que o monumento pudesse ser visto de longe. Heitor da Silva Costa, autor do projeto, teve então a idéia de transformar o Cristo na própria cruz, abençoando o mundo.
A estátua chegou ao Rio de navio, separada em dezenas de partes. Em Niterói essas peças foram montadas e transportadas de trem até o topo do morro.
O Brasil, três décadas antes de brilhar no painel internacional das nações com a plástica arquitetura moderna de Oscar Niemeyer, já maravilhava o mundo com a técnica e a arte de se trabalhar o concreto armado que era, à época, a engenharia de ponta, e com o estilo artístico também de vanguarda que era o art-decó.
O monumento, a bela imagem do Cristo de braços abertos que foi copiada não somente no Brasil, mas em diversos paises, está localizado dentro do Parque Nacional da Tijuca, um dos maiores parques urbanos do mundo.
Sua ficha técnica é incrível:

  • Concepção, projeto e obra: Heitor da Silva Costa
  • Desenhos: Carlos Oswald
  • Maquete e moldes do rosto e mãos: Paul Landowski
  • Engenheiro encarregado geral da obra; Heitor levy
  • Altura total: 38 m
  • Altura do pedestal: 8 m
  • Altura da estátua: 30 m
  • Altura da cabeça: 3,75 m
  • Comprimento da mão: 3,20 m
  • Distância entre os extremos dos dedos: 28 m
  • Peso da cabeça (aproximado): 30 toneladas
  • Peso da mão: 8 toneladas
  • Peso total do monumento: 1.145 toneladas
  • Inauguração: 12 de outubro de 1931
  • Patrimônio Histórico Nacional do Brasil desde 1937
  • Obras de recuperação: 1980, 1990 e 2003
  • Número de visitantes/ano: aproximadamente 1,8 milhões.

A Casa Brasil, braço cultural e de projetos da CBM-Companhia Brasileira de Multimídia, que compreende os veículos de comunicação Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, BIG, revistas da Editora Peixes e a TVJB – realizou de 18 a 29 de junho, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, a exposição foto-iconográfica e filme da cineasta Bel Noronha “Christo Redemptor”.
A exposição teve como objetivo além de propiciar a expansão da base de eleitores do Cristo Redentor, aproveitar a oportunidade de mostrar a um público, que na sua maioria só conhece o Cristo através de cartões postais, a história edificante da epopéia de se colocar uma estátua de 38 metros de altura e mais de mil toneladas no topo de um morro a 709 metros acima do mar, em 1931, depois de cinco anos de extraordinário esforço técnico e financeiro, pois o monumento foi construído a partir de doações da população brasileira, incluído os índios.
Maria Isabel (Bel) Noronha, bisneta de Heitor da Silva Costa que foi a curadora da exposição conta que seu bisavô dizia que naquela época não tinha no mundo nada parecido em que ele pudesse basear seus estudos.
É que o Beton Armé (concreto armado) estava surgindo na Europa e revolucionando o cálculo estrutural. A partir daí a maneira de se projetar a arquitetura e de se construir seria outra.
A eleição foi apertada. Obstáculos como a língua franca da Internet que é o inglês e o próprio acesso às tecnologias da informação fez com que o Cristo Redentor precisasse de votos fora do Brasil. Como parte importante da votação se deu online, o número de internautas de um país é um diferencial. No Brasil, apenas um em cada seis brasileiros tem acesso à Internet. Nos EUA, nove em cada dez americanos acessa a Internet todos os dias. Assim ajudou muito a exposição realizada na sede da ONU em N.Y. Mas a eleição mostrou também o verdadeiro valor artístico desse monumento maior do Brasil.
É tradição das nossas históricas cidades de colonização católica portuguesa plantar uma cruz num ponto elevado de sua topografia. O próprio Cristo Redentor, acolhendo de braços abertos os moradores e visitantes do Rio de Janeiro, também revela o símbolo da cruz cristã. Da zona sul à zona norte a população de cariocas e visitantes contempla a magnífica paisagem do Corcovado com esse monumento de forte valor espiritual.
Nossa cidade também tratou de plantar uma cruz no alto do morro, na perspectiva de uma das suas primeiras ruas, a Dr. Figueiredo.
Lá do alto também se pode admirar a beleza de Valença, de suas serras e morros, do traçado urbanístico de suas ruas, de sua arquitetura e da vida de sua gente em movimento.


◊ JUNHO 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

PAISAGEM CONSTRUÍDA - Cidade Sustentável

Volto a este tema da sustentabilidade porque estamos vivenciando uma questão fundamental na cidade: a questão da água, ou melhor, da operação deste serviço de primeira necessidade.
A Câmara de Vereadores aprovou por maioria de 8 a 2 a proposta do Executivo de concessão por 30 anos dos serviços de água e esgoto.
Acontece que o Plano Diretor que é uma Lei aprovada em 10 de Outubro do ano passado (2006), diz que o Poder Executivo deve promover através do Conselho da Cidade o debate sobre os modelos de operação do sistema de saneamento da cidade, convidando técnicos ou empresas capacitados para explicar as vantagens e desvantagens de cada um e aí sim, aprovar o modelo escolhido democraticamente no Concidade em audiência pública, praticando assim um dos seis eixos mais importantes do atual Plano Diretor que é o da “Gestão Democrática da Cidade”.
Elegido o modelo, que pode ser um Departamento de Águas e Esgotos da Prefeitura, ou uma Autarquia, ou uma Empresa de Economia Mista, ou uma Permissão ou ainda uma Concessão; o Poder Executivo providenciaria sua implantação.
O nosso Plano Diretor foi elaborado obedecendo todas as orientações do Ministério das Cidades e do Estatuto da Cidade que é a cartilha de normas sobre planejamento urbano editada pelo referido ministério.
Em Valença a elaboração do Plano Diretor Participativo em tempo recorde (como aliás o foi também por outras prefeituras, pois a maioria dos prefeitos só cumpriu com essa obrigação do Governo Federal quando o prazo já estava terminando) só foi possível porque já contávamos com uma leitura comunitária da cidade – o trabalho “Por Amor a Valença” que debateu com mais de 60 bairros e localidades os problemas urbanos - com uma leitura comunitária da zona rural que cobriu todo o território do Município por iniciativa das lideranças que militam pela política agrícola de Valença, e naquele momento, com o debate comunitário nas sedes dos distritos e o trabalho da equipe técnica contratada.
Poder Executivo e Poder Legislativo atropelando a Lei do Plano Diretor Participativo de Valença, retarda a inauguração de uma gestão democrática da cidade e inviabiliza um fórum que discuta a sua sustentabilidade.
A questão da água vai além do modelo de operação. Está no PDPV a necessidade de tratar as nascentes e despoluir o rio das Flores e o rio Bonito que são os rios que abastecem Valença e pelo menos dois de nossos distritos com extensos territórios.
Penso que serviços de primeira necessidade como o de água e esgoto devam ser operados pelo poder público de preferência, através de uma autarquia, ou por uma empresa de economia mista que poderia buscar recursos para investimento em melhorias nas respectivas redes, tanto por parte do poder público como por parte da empresa.
Enfim perde-se a oportunidade de se começar a reconstrução da cidade, ou melhor, do Município, com os novos valores da sustentabilidade.
Lendo o caderno Razão Social de O Globo nº. 49, de junho, fico sabendo que a cidade de Xangai, na China, foi sede no fim de abril, do Terceiro Fórum de Urbanismo e Construções Sustentáveis. O vice-prefeito Xiong Yang quer ouvir experiências de outros países que tenham sido bem sucedidos na trilha da sustentabilildade. O veloz crescimento da China tem feito com que se construam cidades cópias das ocidentais e, portanto dentro do modelo de cidades devoradoras dos recursos naturais. Parece que os chineses estão se conscientizando também de forma bem rápida da necessidade de um outro modelo de desenvolvimento urbano.
Saskia Sassem, socióloga e economista nascida em Haia e professora na Universidade de Chicago lamentou o que chamou de “geografia da destruição” em vários lugares do mundo e disse que hoje sabemos que estamos todos num barco que está afundando. Ela defende que uma cidade não pode desprezar seus dados históricos. E não acredita que os políticos se preocupem com isso.
Em nosso país já podemos contar inúmeras iniciativas ecologicamente corretas e até um Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção já existe, para um desenvolvimento sustentável e de combate à corrupção.
Despoluição de rios, tratamento da água, reciclagem de lixo, sistema mais eficiente de transporte coletivo e público para se andar menos de automóveis, menos gasto de energia, controle da poluição olfativa, sonora e visual e garantia da biodiversidade são os “deveres de casa” de qualquer cidade/cidadão hoje. Isso se quisermos salvar o planeta e ter um futuro com qualidade de vida.
Não podemos mais ficar inertes diante de poderes públicos que insistem numa prática ultrapassada de gestão.
Valença tem berço, tem história, tem beleza. Porque não inaugurar um novo tempo de prosperidade calcado na qualidade de vida?


◊ MAIO 2007 - NOVO

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

PAISAGEM CONSTRUÍDA - A Igreja de São Sebastião do Rio Bonito

A reabertura da Igreja de São Sebastião do Rio Bonito em Pentagna, depois das obras de restauração que revelaram sua beleza, me motivou para este terceiro artigo.
"O conjunto de bens materiais e imateriais possuidores de significados históricos, artísticos e afetivos fundamentam a noção de Bem Cultural e os tornam representativos da cultura e da existência humana".
"Se o ser humano é um ser produtivo de arte e técnica, a natureza também tem os seus produtos, e com uma dinâmica própria e equilibrada gera uma sucessão de paisagens no tempo e no espaço, muitas das quais nos apropriamos como símbolos de nossa identidade". E toda essa produção humana e da natureza se confundem, se mesclam numa soma onde infelizmente a natureza tem sido perdedora. Perdemos assim paisagens que são suportes da construção da nossa memória.
Já estamos adquirindo a consciência da necessidade da preservação do patrimônio histórico e artístico, material e imaterial construído, mas ainda é vaga a consciência dos danos à natureza, e isso faz com que a civilização esteja ameaçada, perdendo qualidade.
Valença não existiria sem as serras que a abraçam aconchegando-a num vale; sem a Catedral de N. S. da Glória, o marco primeiro de sua urbanização; sem suas palmeiras; sem os caminhos, outrora de ferro. Assim como a cidade do Rio de Janeiro não existiria sem suas praias, sem a Baia de Guanabara, sem o Cristo Redentor; Teresópolis sem o Dedo de Deus; Petrópolis sem o Museu Imperial; enfim as nossas cidades não existiriam sem esse somatório de paisagens naturais e construídas.
Pentagna só é Pentagna com seu rio Bonito e sua cachoeira, com a casa da Dona Sulica, com a igreja de São Sebastião, seu protetor que lá do outeiro abençoa a todos e apresenta a vila aos turistas.
A igreja teve início no ano de 1859, ano da chegada da imagem de são Sebastião vinda diretamente de Portugal em tamanho natural e em perfeita forma humana.
Construída em estilo maneirista (pré barroco), conhecido como colonial porque foi o estilo usado durante todo o tempo em que o Brasil foi colônia de Portugal, tem, no entanto, o seu interior no estilo rococó (pós barroco).
As cidades surgidas no início de séc. XIX como foi o caso de Valença, tiveram suas primeiras construções de arquitetura colonial e só depois foram sendo projetadas as edificações neoclássicas e ecléticas. Assim é comum que nestas edificações históricas a arquitetura seja a colonial e a decoração interna seja rococó, estilo que seguiu o barroco e antecedeu o neoclássico.
A restauração da Igreja de São Sebastião do Rio Bonito, antigo nome do distrito de Pentagna, não só resgata sua beleza, seu significado histórico para a comunidade local e para todos os valencianos, como oferece a oportunidade de um desenvolvimento que respeite e resgate o equilíbrio da natureza e a intrínseca qualidade do ser humano que é a ética, (hoje sistematicamente desvalorizada) a qual possibilita uma sociedade mais justa, mais democrática e assim uma humanidade mais feliz.
Quero parabenizar o Padre Luiz, os meus caros colegas arquitetos Tânia e João Carlos e a comunidade de Pentagna.

Este texto foi inspirado em artigo da arquiteta Dina Lerner, tendo os parágrafos entre aspas sua autoria.


◊ ABRIL 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

PAISAGEM CONSTRUIDA - A Casa Léa Pentagna

No artigo anterior, que foi uma apresentação da temática a que fui convidada a abordar mensalmente neste Informativo Cultural, comentei que a cidade deve ser tratada com olhar holístico.

Com Isso quero dizer que a cidade que é a paisagem construída em que vivemos, deve ser planejada, construída e vivenciada como um todo e não de forma fragmentada, sem compromisso com a igualdade de tratamento que os seus vários sítios merecem. Ao contrário, deve ser uma cidade feita para todos e fruto de uma gestão democrática que discute o orçamento público de forma participativa, assim atendendo com planejamento urbanístico adequado, cada bairro, e até cada lugarejo do Município.

A cidade que queremos é aquela que tem qualidade de vida, que respeita e restabelece o equilíbrio ecológico, que valoriza seu patrimônio histórico e cultural, que promove justiça social, enfim, que tem um desenvolvimento sustentável. Entendo que é o somatório de todos estes fatores que faz uma cidade ser verdadeiramente moderna e desenvolvida. E penso que o que pode promover esse tratamento holístico para com a cidade é a cultura de sua gente.

Falando em cultura me vem na memória a Casa Léa Pentagna, paisagem presente em nossa cidade desde meados do século XIX, e um dos mais belos exemplares do patrimônio histórico e artístico de Valença.

Sua história já é conhecida de todos nós, divulgada que está em sua folheteria. Sua arquitetura, que se inicia com estilo colonial português, pois seus primeiros proprietários, os Barcellos, eram originários das Ilhas dos Açores, e em 1927 passa a ter feição italiana depois da obra de reforma promovida pelos novos proprietários, os Pentagnas, sob a batuta do arquiteto Luigi Merulla, reflete a pluralidade cultural na formação da gente valenciana.

Se dona Léa Pentagna foi magnânima deixando para os valencianos uma Fundação Cultural, e aqui eu me pergunto “o que teria acontecido a essa casa se tivesse sido apenas deixada como legado de herança?”; os professores Dilma Dantas e Gilberto Monteiro têm feito essa casa de cultura, acontecer: abriram suas portas aos valencianos, a restauraram como patrimônio histórico que é, e procuram dar a esta CASA MUSEU um caráter de casa viva.

A Casa Lea Pentagna guardando a memória de Dona Léa e de seus familiares, guarda parte da história de Valença e também da história da arte e da arquitetura, praticadas pelos seus construtores, em obediência aos cânones dos estilos colonial e depois neoclássico.

A arquitetura é testemunha da história e sendo também arte, escultura a céu aberto, faz da cidade um verdadeiro museu vivo, o cenário onde se desenvolve o teatro da vida. Preservar a arquitetura de época é preservar a história e é dar oportunidade para um desenvolvimento calcado no binômio preservação/sustentabili-dade.

O convite para participar deste Informativo Cultural muito me honra porque Dilma e Gilberto são “Gente que Faz”.

◊ MARÇO 2007

(Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna)

PAISAGEM CONSTRUIDA

A partir deste mês estaremos presentes no Informativo Cultural Léa Pentagna, para falarmos um pouco de patrimônio histórico especialmente do arquitetônico. Isso implica em falarmos não só da arquitetura, mas da cidade e até do município que são os espaços físicos que a ambientam. Nossa coluna não poderia ter outro nome se não “Paisagem Construída”.

Para se falar da cidade sob a ótica da arquitetura e do urbanismo é impossível não se falar de política pública de planejamento urbano.

Neste primeiro artigo vamos aproveitar para comentar sobre a Lei do Plano Diretor Participativo de Valença – PDPV recentemente aprovada pela Câmara Municipal.

O nosso PDPV se estrutura com seis eixos estratégicos de ação:

  • Ocupação Sustentável do Território
  • Integração Distrital – Via Valença
  • Meio Rural em Ação
  • Identidade e Patrimônio Cultural
  • Revitalização Econômica
  • Gestão Democrática da Cidade

O eixo Identidade e Patrimônio Cultural foi conseqüência de ter o nosso município uma história, uma cultura, um urbanismo e uma arquitetura muito expressivos. Também o fato de hoje termos o centro histórico do Distrito Sede e o Distrito de Conservatória, tombados, mereceu uma atenção especial, pois é necessária uma política de urbanismo diferenciada para essas áreas.

O rico material que embasa o nosso Plano Diretor permitiu uma leitura da cidade que foi o somatório da leitura comunitária – urbana e rural – e da leitura técnica.

Os novos Planos Diretores aprovados em outubro de 2006 por determinação do Ministério das Cidades, vêm com o objetivo de promover cidades planejadas e estruturadas a partir da participação efetiva da comunidade organizada no Conselho da Cidade.

O Plano diretor de Valença contém vários instrumentos jurídicos de controle urbanístico que permitirão uma cidade mais organizada e mais justa socialmente podendo ter uma política pública específica para os bens tombados.

Desta forma, acreditamos que será possível preservar a história, a cultura e a paisagem natural e construída da nossa cidade que foi uma das mais importantes do Vale do Rio Paraíba do Sul durante o ciclo do café e, portanto também sustentáculo do império brasileiro, e que tem possibilidades concretas para voltar a florescer.

Esse cuidado com a cidade, demonstrados pelo PDPV, pelo Inventário dos Bens Culturais Imóveis de Valença e pelo Tombamento do centro histórico da cidade é um sinal da relevância que se deve dar à qualidade de vida. A cidade com sua arquitetura e sua história é o cenário, a paisagem construída onde vivemos e deve ser tratada também com olhar holístico.

 


◊ JANEIRO/FEVEREIRO 2007

O CEPDV em parceria com a Fundação Cultural e Filantrópica Léa Pentagna promoveu a filmagem de um documentário sobre a exposição “Casa Viva”, que acontece todos os anos na Casa Léa Pentagna por ocasião do Natal, e onde são expostos trabalhos de artistas e artesãos juntamente com peças do acervo desta casa museu.

Durante este ano estaremos em parceria com a Casa Léa Pentagna em diversos outros eventos culturais.

Neste mês de Fevereiro deverá ser enviado à Câmara de Vereadores, para aprovação, os Códigos de Obras, o Ambiental, o de Posturas e a Lei de Parcelamento do Solo. Continuamos acompanhando a Agenda do Planejamento Urbano no Conselho da Cidade.


OUTUBRO/NOVEMBRO 2006

O Plano Diretor Participativo de Valença já esta aprovado desde o dia 10 de outubro.

Agora estão sendo reformados os Códigos de Obras, o de Posturas, o Ambiental e a lei de Parcelamento do Solo.

Com esses diplomas legais atualizados de acordo com o PDPV o Governo Municipal poderá programar um Planejamento Urbano de novo tipo em nosso Município.

Ficará por conta do Conselho da Cidade elaborar uma agenda para a implantação do PDPV indicando a elaboração de mais alguns diplomas legais chamados de Novos Instrumentos de Controle Urbanístico, tais como, o da Transferência do Direito de Construir e o das Operações Consorciadas que são muito interessantes para quem está com o seu imóvel tombado.

O CEPDV está acompanhando no CONCIDADE essa AGENDA DO DESENVOLVIMENTO URBANO .


SETEMBRO 2006

O Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença está participando do Conselho da Cidade e acompanhando a elaboração do Plano Diretor Participativo de Valença .

Está também estudando os novos Instrumentos de Controle Urbanístico para propor um urbanismo que contemple a questão do tombamento dos bens culturais imóveis da cidade.

Uma das diretrizes do Estatuto da Cidade é proteger os ambientes históricos das cidades reforçando o sentimento de pertencimento cultural nos cidadãos brasileiros.


◊ MAIO 2006

O CENTRO DE ESTUDOS DE PRRESERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO – CEPDV, participou na qualidade de parceiro do CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE VALENÇA – CESVA da FUNDAÇÃO D. ANDRÉ ARCOVERDE na realização do FÓRUM: EDUCAÇÃO, CULTURA E PATRIMÕNIO” realizado nos dias 29, 30 e 31 de Maio de 2006.

No dia 29 participou da mesa redonda com o tema: “O PATRIMONIO CULTURAL COMO OBJETO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL”, O Diretor Geral do INEPAC Marcos Monteiro.

No dia 30 pela manhã houve a apresentação do INVENTÁRIO DOS BENS CULTURAIS IMÓVEIS DE VALENÇA realizado em 2004, pela equipe de técnicos autores do mesmo: Giberto de Lima Monteiro na época Secretário Municipal de Cultura e Turismo, Branca Ribeiro Figueira – Arquiteta, Antonio Carlos de Oliveira Lima – Odontólogo e Pesquisador em História e Adriano dos Reis Novaes – Cientista social e Pesquisador em História.


 
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