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◊NOVEMBRO 2008 - NOVO PAISAGEM CONSTRUÍDA PAISAGEM RECONSTRUÍDA Reconstruir, no sentido de restaurar as históricas paisagens valencianas é o sonho que desejamos ver materializado num futuro próximo. Essa responsabilidade, esse dever a cumprir, já estão previstos no Plano Diretor Participativo da cidade e todos nós sabemos que não há desenvolvimento sustentável, responsável, sem a preservação da memória histórica e cultural de qualquer população, memória traduzida em seus saberes e fazeres. É com essa esperança e confiança de ver Valença retomar sua importância na região do Vale do Paraíba Fluminense, que aproveito para externar meus votos de sucesso e realizações à nossa querida Dilma Dantas, Diretora de Cultura desta Casa Léa Pentagna e a Vicente Guedes, eleitos Prefeito e Vice Prefeita em 05 de Outubro. Vivemos num mundo hoje globalizado, informatizado, que gira em velocidade máxima as informações, fazendo do planeta uma “aldeia global”. Mas segundo alguns pensadores da atualidade, a globalização promove também uma crise de identidade nas sociedades contemporâneas. ¹ Recuperar a paisagem histórica, seus patrimônios culturais, especialmente o imobiliário, o arquitetônico, passou a ser cada vez mais a preocupação das nações como uma forma de se revelar a cultura e a trajetória de civilização dos seus povos, já que podemos entender que as obras de arquitetura são como esculturas nos museus a céu aberto que são as cidades. Conseqüência natural, o desenvolvimento da economia turística valoriza a manutenção do patrimônio mundial com suas mais belas e exóticas expressões artísticas. No entanto, o resgate de identidade deve ser um objetivo anterior ao faturamento imediatista através da indústria do turismo cultural e de sua necessária exploração do passado histórico.² Se para qualquer projeto de turismo, especialmente o cultural, chega-se à conclusão de que se tem que arrumar tudo na maioria das pequenas cidades brasileiras do interior, há décadas abandonadas de suas tradições de planejamento e desenvolvimento urbano, sim, porque não se pode receber turistas em meio ao caos dos serviços, da poluição visual, enfim, não se pode receber turistas para mostrar a nossa miséria presente, ainda que com vestígios de um passado glorioso mas distante, estranho, estrangeiro, mítico; então chega-se fácil à compreensão de que estamos a arrumar cidades para “inglês ver”, e não para dar condições agradáveis e dignas para a população local. Assim fica fácil também entender porque tantos “parques temáticos” mundo a fora, muitos deles totalmente falsos, calcados em história nenhuma, para lá de oportunistas, como por exemplo, os túmulos construídos para algumas figuras realmente míticas da antiguidade, na Grécia atual ou o de Jesus Cristo, em Jerusalém, onde se cobra em dólares para se entrar na tenda (árabe) que envolve o seu túmulo, em granito polido e de formato tão retangular quanto os nossos, e que já se encontra no interior de um templo cristão. Realmente é espantoso! Mas não vamos aqui ficar exemplificando esses “parques temáticos” onde se chega a construir falsas ruínas Romanas em um lugarejo qualquer de Portugal. Vamos pensar nossa cidade de forma a que a valorização da nossa cultura, do nosso patrimônio cultural, não só o material móvel e imóvel, mas o imaterial com suas várias manifestações e expressões artísticas, venha juntamente com uma arrumação de toda a cidade e que promova um desenvolvimento sustentável, ecologicamente correto e socialmente justo. Valorização e recuperação de nossa memória histórica primeiramente para nós mesmos e assim ter autenticidade na cultura a ser exposta. Ter um turismo cultural como fonte extra de recursos, mas principalmente como conseqüência de um desenvolvimento não mais para “inglês ver”, mas para a própria população local, no nosso caso, para nós Valencianos, com todo o peso que tivemos na construção do nosso país. É óbvio que apesar dos “parques temáticos” existem inúmeros locais que por preservarem suas histórias e garantirem um nível de vida chamado “de primeiro mundo” aos seus cidadãos, atraem e encantam turistas, esse “homem viajante”,³ não mais sedento só de lugares míticos, pertencentes a um tempo e espaço por ele imaginados, estranhos, estrangeiros, desconectados da realidade, mas turistas que num cenário que revela a história passada de uma gente, quer e pode encontrar também a essência da vida, revelada pelos sentimentos mais saudáveis da alma humana, como por exemplo: a calorosa hospitalidade, a fraternal solidariedade, o puro e amoroso aconchego. Branca Ribeiro Figueira 1, 2, 3 - conforme “Patrimônio Cultural na Contemporaneidade” de Hernán Venegas Marcelo – Valença em Questão nº. 33, apud in HALL, Sturt. Da diáspora. Identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. p.87. GARCIA CANCLINI, Nestor. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. 4ª Edição, rio de Janeiro: UFRJ , 2005.p.117. POESIA, ...... PORQUE NÃO? Elegias Para Afrânio, meu filho. Para Maria, minha irmã. Blandina Ribeiro Figueira
◊JUNHO 2008 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) O CORETO DA PRAÇA VISCONDE DO RIO PRETO Os coretos, com suas tipologias arquitetônicas próprias, estão ainda muito presentes nas praças das pequenas cidades do interior fluminense. Simbolizando o prazer e traduzindo os sentimentos populares em diversas ocasiões e de várias maneiras: espaço para solenidades cívicas, palanque de campanha política, palco de manifestações culturais, têm sido desde o início, sempre e fundamentalmente o lugar da retreta da banda de música com seus dobrados, valsas e maxixes. Surgiram à época da adoção do espírito romântico na concepção da arquitetura, das praças e jardins onde, pela beleza de sua arquitetura e por seus aspectos pitorescos, destacaram-se na paisagem urbana, como jóia a enfeitar um traje de gala. Típicos desse período Romântico devem seus detalhes exóticos, muitas vezes, à importação de elementos fabricados em ferro em países como a Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha, desde a revolução industrial no século dezenove. O belíssimo coreto da Praça Visconde do Rio Preto, construído em 1916, no estilo conhecido como Art-Nouveau, fica no centro da praça e é percebido propositalmente à distância, na perspectiva da Rua Dr. Figueiredo, já que esta foi uma das primeiras ruas de um plano de urbanização de traçado neoclássico, que era o que de mais avançado se tinha na época, criando assim a agradável ambientação romântica das cidades de interior. O coreto é de refinada execução. A leveza de sua estrutura e de sua cobertura metálica sobre embasamento em alvenaria, confere a delicadeza característica desse tipo de mobiliário urbano que equipou as praças das cidadezinhas nos primeiros anos do século vinte. A qualidade do trabalho executado em ferro pode ser percebida também na escada de acesso, no gradil e nos elementos que compõem o beiral. No encontro de cada água do telhado com o beiral correspondente, gárgulas como se fossem lagartos cospem as águas da chuva. Que bela é essa nossa paisagem construída na “Belle Époque”.. Pesquisa: Painéis fotográficos da exposição realizada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC por ocasião das comemorações dos 40 anos de sua existência.
◊ DEZEMBRO 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) PAISAGEM CONSTRUÍDA - VALENÇA – 150 ANOS – PATRIMÔNIO CULTURAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO No mês de novembro a Fundação Cultural e Filantrópica Lea Pentagna e o Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença, promoveram uma exposição em comemoração aos 150 anos de Valença cidade, composta de painéis fotográficos dos bens culturais do Estado do Rio de Janeiro. O INEPAC que é o Órgão Governamental que cuida da preservação da memória cultural do Estado do Rio de Janeiro, teve origem na Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico, órgão do patrimônio cultural anterior à fusão dos antigos Estado do Rio de Janeiro e da Guanabara, criada em 31 de Dezembro de 1964.
Branca Ribeiro Figueira
Diretora do Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença. ◊ SETEMBRO 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) PAISAGEM CONSTRUÍDA - ANIVERSÁRIO DE VALENÇA “Um estágio avançado de crueldade é a desambientação do ambiente, ou seja, sua degradação voluntária, ainda que, por vezes, ela venha a ser enganosamente apresentada como valorização ou adaptação às exigências da vida moderna." Giulio Carlo Argan
No dia 29 de Setembro de 1857, através da Lei nº. 961, Valença foi elevada à categoria de Cidade, tornando-se uma das “Capitais do Café” do Vale do Paraíba. É neste período que surgem na cidade os prédios públicos e particulares mais imponentes, os espaços livres pensados para serem jardins, as fontes de água, pois as ruas, planejadas com traçado ortogonal, já estavam abertas. Entre as mais importantes construções deste período estão: o Paço Municipal de 1854, a Santa Casa de Misericórdia de 1857, a Matriz de Nossa Senhora da Glória de 1857, o chafariz de cantaria da Praça XV de Novembro de 1850, e o Cemitério do Riachuelo de 1850. Dentre os imóveis de particulares, podemos citar o Casarão, hoje em ruínas, construído por João Francisco de Souza em 1855, o palacete do fazendeiro Antonio Vieira Machado em 1856, hoje Colégio Benjamim Guimarães, e o palacete do Visconde do Rio Preto, o mais luxuoso da cidade, de 1858, atual colégio Theodorico Fonseca. Quando em 2003/2004 tivemos o prazer de fazer parte da equipe que elaborou o Inventário dos Bens Culturais Imóveis de nossa cidade, não só aprendemos muito sobre sua história e sua arquitetura, como também trocávamos entre nós os conhecimentos adquiridos nas pesquisas. Neste mês em que se comemoram os 150 anos da cidade, aproveito para transcrever um belo texto do Inventário que apresenta Valença com toda sua história e poética. Ninguém mais se não o próprio autor, o professor Gilberto Monteiro, na época Secretário Municipal de Cultura e Turismo e Coordenador da equipe que trabalhou no inventário, poderia captar de forma tão sintética tudo aquilo que descobríamos e trocávamos com avidez, embalados por um sentimento misto de orgulho por sermos valencianos e de prazer cultural por reconhece-la tão bela e tão histórica. A história do casario, das praças e ruas de Valença é variada como variados foram os períodos econômicos da cidade. A simples vila, voltada para o comércio e para o acolhimento de viajantes, que se deslocavam entre Minas Gerais e a Corte foi, com o correr do tempo se transformando em centro de outras atividades. Os barões e viscondes do café construíram verdadeiros palácios na zona rural, mas também deixaram marcas arquitetônicas na cidade quer seja em suas residências urbanas ou em obras de sua benemerência. A economia do município ao mudar de rumo e abraçar a indústria, principalmente a têxtil, e a agropecuária, de novo iria deixar marcas na construção urbana. Os fazendeiros de então buscavam muito a vida citadina que lhes proporcionava numa, quase ilusão, a luz elétrica, o papo na Rua dos Mineiros, enfim um maior contato humano. A mentalidade passou a ser a de se construir uma boa casa na zona urbana. Alguns dos prédios que resistem não são, nem o palácio do barão e nem a casa simples do operário das fábricas que por aqui se multiplicavam, mas sim, a casa desse novo proprietário rural. A fase industrial de Valença foi muito marcante e deixou inúmeros exemplares arquitetônicas. Alguns não mais existentes e hoje, só comprovados com fotos, outros porém, muito interessantes como as vilas operárias, casas construídas para os funcionários fabris. Numa leitura cuidadosa da evolução urbana, quer seja pela iconografia histórica ou pelos exemplares ainda existentes, podemos constatar que se a arquitetura colonial deu lugar a uma outra mais requintada, eclética e art-deco, esta por sua vez, foi se perdendo, nem sempre para uma arquitetura de qualidade, porém para uma outra arquitetura, reflexo das várias crises econômicas no pais e, por conseqüência, em Valença. O valenciano e os visitantes ao percorrerem as ruas da cidade encontram construções ora suntuosas, ora muito simples, que misturadas ao que hoje se constrói, são verdadeiros relicários do bom gosto. Bom gosto que nunca deve ser confundido com a ostentação e riqueza. São relicários que num verdadeiro caleidoscópio, nos transportam ao passado e que devem ser preservados porque contam uma história. Somando-se a essas construções encontramos as leves ondulações, subidas e descidas, que juntamente com as praças, jardins e parques conferem a Valença uma singular beleza. O futuro de todos depende da história que é contada pelo passado. Penso que se não formos capazes de valorizar a nossa história, salvaguardando a memória material e imaterial, e distinguindo com clareza os erros e acertos do passado, não conseguiremos avançar para um futuro melhor, pois, apenas uma geração, sem história, sem passado e, portanto sem referências culturais sólidas, é suficiente para deixar a cidade á deriva. Branca Ribeiro Figueira
Diretora do Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença. ◊ AGOSTO 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) OS JARDINS HISTÓRICOS E AS PRAÇAS DA CIDADE Nossa cidade, surgida no início do séc. XIX, foi planejada dentro dos cânones do neoclassicismo. Embora seguindo as regras da urbanização colonial, de casas e sobrados geminados, de beirais alinhados e quintais estreitos e arborizados, suas ruas já eram ortogonais e não mais de traçado orgânico e livre, típico da urbanização medieval. ◊ JULHO 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) O CRISTO REDENTOR - “Maravilha do homem, maravilha do mundo”. A recém eleição do monumento “Cristo Redentor”, localizado no alto do morro do Corcovado no Rio de Janeiro, como uma das sete novas maravilhas do mundo não poderia deixar de ser comemorada em nossa coluna, porque paisagem construída belíssima, esteticamente falando, além de prodígio da engenharia nacional.
O cineasta suíço-canadense Bernard Weber, inconformado com as lacunas no legado de Filon, organizou uma votação popular na internet para atualizar a lista. 1ª - Grande Muralha na China, 2ª - Cidade Antiga de Petra na Jordânia, 3ª - Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Brasil, 4ª - Sítio Arqueológico de Machu Picchu no Peru, 5ª - Pirâmide de Chichen Itzá em Yucatán, México, 6ª - Coliseu em Roma, Itália, 7ª - Taj Mahal na Índia.
O monumento candidato do Brasil, o Cristo Redentor, foi idealizado em 1921 para comemorar o centenário da independência no ano seguinte. A pedra fundamental foi realmente colocada em 1922, mas sua construção só começou após quatro anos em 1926 e terminaram em 1931.
A Casa Brasil, braço cultural e de projetos da CBM-Companhia Brasileira de Multimídia, que compreende os veículos de comunicação Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, BIG, revistas da Editora Peixes e a TVJB – realizou de 18 a 29 de junho, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, a exposição foto-iconográfica e filme da cineasta Bel Noronha “Christo Redemptor”. ◊ JUNHO 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) PAISAGEM CONSTRUÍDA - Cidade Sustentável Volto a este tema da sustentabilidade porque estamos vivenciando uma questão fundamental na cidade: a questão da água, ou melhor, da operação deste serviço de primeira necessidade. ◊ MAIO 2007 - NOVO (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) PAISAGEM CONSTRUÍDA - A Igreja de São Sebastião do Rio Bonito A reabertura da Igreja de São Sebastião do Rio Bonito em Pentagna, depois das obras de restauração que revelaram sua beleza, me motivou para este terceiro artigo. Este texto foi inspirado em artigo da arquiteta Dina Lerner, tendo os parágrafos entre aspas sua autoria. ◊ ABRIL 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) PAISAGEM CONSTRUIDA - A Casa Léa Pentagna No artigo anterior, que foi uma apresentação da temática a que fui convidada a abordar mensalmente neste Informativo Cultural, comentei que a cidade deve ser tratada com olhar holístico. Com Isso quero dizer que a cidade que é a paisagem construída em que vivemos, deve ser planejada, construída e vivenciada como um todo e não de forma fragmentada, sem compromisso com a igualdade de tratamento que os seus vários sítios merecem. Ao contrário, deve ser uma cidade feita para todos e fruto de uma gestão democrática que discute o orçamento público de forma participativa, assim atendendo com planejamento urbanístico adequado, cada bairro, e até cada lugarejo do Município. A cidade que queremos é aquela que tem qualidade de vida, que respeita e restabelece o equilíbrio ecológico, que valoriza seu patrimônio histórico e cultural, que promove justiça social, enfim, que tem um desenvolvimento sustentável. Entendo que é o somatório de todos estes fatores que faz uma cidade ser verdadeiramente moderna e desenvolvida. E penso que o que pode promover esse tratamento holístico para com a cidade é a cultura de sua gente. Falando em cultura me vem na memória a Casa Léa Pentagna, paisagem presente em nossa cidade desde meados do século XIX, e um dos mais belos exemplares do patrimônio histórico e artístico de Valença. Sua história já é conhecida de todos nós, divulgada que está em sua folheteria. Sua arquitetura, que se inicia com estilo colonial português, pois seus primeiros proprietários, os Barcellos, eram originários das Ilhas dos Açores, e em 1927 passa a ter feição italiana depois da obra de reforma promovida pelos novos proprietários, os Pentagnas, sob a batuta do arquiteto Luigi Merulla, reflete a pluralidade cultural na formação da gente valenciana. Se dona Léa Pentagna foi magnânima deixando para os valencianos uma Fundação Cultural, e aqui eu me pergunto “o que teria acontecido a essa casa se tivesse sido apenas deixada como legado de herança?”; os professores Dilma Dantas e Gilberto Monteiro têm feito essa casa de cultura, acontecer: abriram suas portas aos valencianos, a restauraram como patrimônio histórico que é, e procuram dar a esta CASA MUSEU um caráter de casa viva. A Casa Lea Pentagna guardando a memória de Dona Léa e de seus familiares, guarda parte da história de Valença e também da história da arte e da arquitetura, praticadas pelos seus construtores, em obediência aos cânones dos estilos colonial e depois neoclássico. A arquitetura é testemunha da história e sendo também arte, escultura a céu aberto, faz da cidade um verdadeiro museu vivo, o cenário onde se desenvolve o teatro da vida. Preservar a arquitetura de época é preservar a história e é dar oportunidade para um desenvolvimento calcado no binômio preservação/sustentabili-dade. O convite para participar deste Informativo Cultural muito me honra porque Dilma e Gilberto são “Gente que Faz”.◊ MARÇO 2007 (Artigo publicado pela diretora do CEPDV Branca Ribeiro Figueira, para o Jornal da Fundação Cultural e Filantrópica Casa Léa Pentagna) PAISAGEM CONSTRUIDA A partir deste mês estaremos presentes no Informativo Cultural Léa Pentagna, para falarmos um pouco de patrimônio histórico especialmente do arquitetônico. Isso implica em falarmos não só da arquitetura, mas da cidade e até do município que são os espaços físicos que a ambientam. Nossa coluna não poderia ter outro nome se não “Paisagem Construída”. Para se falar da cidade sob a ótica da arquitetura e do urbanismo é impossível não se falar de política pública de planejamento urbano. Neste primeiro artigo vamos aproveitar para comentar sobre a Lei do Plano Diretor Participativo de Valença – PDPV recentemente aprovada pela Câmara Municipal. O nosso PDPV se estrutura com seis eixos estratégicos de ação:
O eixo Identidade e Patrimônio Cultural foi conseqüência de ter o nosso município uma história, uma cultura, um urbanismo e uma arquitetura muito expressivos. Também o fato de hoje termos o centro histórico do Distrito Sede e o Distrito de Conservatória, tombados, mereceu uma atenção especial, pois é necessária uma política de urbanismo diferenciada para essas áreas. O rico material que embasa o nosso Plano Diretor permitiu uma leitura da cidade que foi o somatório da leitura comunitária – urbana e rural – e da leitura técnica. Os novos Planos Diretores aprovados em outubro de 2006 por determinação do Ministério das Cidades, vêm com o objetivo de promover cidades planejadas e estruturadas a partir da participação efetiva da comunidade organizada no Conselho da Cidade. O Plano diretor de Valença contém vários instrumentos jurídicos de controle urbanístico que permitirão uma cidade mais organizada e mais justa socialmente podendo ter uma política pública específica para os bens tombados. Desta forma, acreditamos que será possível preservar a história, a cultura e a paisagem natural e construída da nossa cidade que foi uma das mais importantes do Vale do Rio Paraíba do Sul durante o ciclo do café e, portanto também sustentáculo do império brasileiro, e que tem possibilidades concretas para voltar a florescer. Esse cuidado com a cidade, demonstrados pelo PDPV, pelo Inventário dos Bens Culturais Imóveis de Valença e pelo Tombamento do centro histórico da cidade é um sinal da relevância que se deve dar à qualidade de vida. A cidade com sua arquitetura e sua história é o cenário, a paisagem construída onde vivemos e deve ser tratada também com olhar holístico.
◊ JANEIRO/FEVEREIRO 2007 O CEPDV em parceria com a Fundação Cultural e Filantrópica Léa Pentagna promoveu a filmagem de um documentário sobre a exposição “Casa Viva”, que acontece todos os anos na Casa Léa Pentagna por ocasião do Natal, e onde são expostos trabalhos de artistas e artesãos juntamente com peças do acervo desta casa museu. Durante este ano estaremos em parceria com a Casa Léa Pentagna em diversos outros eventos culturais. Neste mês de Fevereiro deverá ser enviado à Câmara de Vereadores, para aprovação, os Códigos de Obras, o Ambiental, o de Posturas e a Lei de Parcelamento do Solo. Continuamos acompanhando a Agenda do Planejamento Urbano no Conselho da Cidade.◊ OUTUBRO/NOVEMBRO 2006 O Plano Diretor Participativo de Valença já esta aprovado desde o dia 10 de outubro. Agora estão sendo reformados os Códigos de Obras, o de Posturas, o Ambiental e a lei de Parcelamento do Solo. Com esses diplomas legais atualizados de acordo com o PDPV o Governo Municipal poderá programar um Planejamento Urbano de novo tipo em nosso Município. Ficará por conta do Conselho da Cidade elaborar uma agenda para a implantação do PDPV indicando a elaboração de mais alguns diplomas legais chamados de Novos Instrumentos de Controle Urbanístico, tais como, o da Transferência do Direito de Construir e o das Operações Consorciadas que são muito interessantes para quem está com o seu imóvel tombado. O CEPDV está acompanhando no CONCIDADE essa AGENDA DO DESENVOLVIMENTO URBANO .◊ SETEMBRO 2006 O Centro de Estudos de Preservação e Desenvolvimento de Valença está participando do Conselho da Cidade e acompanhando a elaboração do Plano Diretor Participativo de Valença . Está também estudando os novos Instrumentos de Controle Urbanístico para propor um urbanismo que contemple a questão do tombamento dos bens culturais imóveis da cidade. Uma das diretrizes do Estatuto da Cidade é proteger os ambientes históricos das cidades reforçando o sentimento de pertencimento cultural nos cidadãos brasileiros. ◊ MAIO 2006 O CENTRO DE ESTUDOS DE PRRESERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO – CEPDV, participou na qualidade de parceiro do CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE VALENÇA – CESVA da FUNDAÇÃO D. ANDRÉ ARCOVERDE na realização do FÓRUM: EDUCAÇÃO, CULTURA E PATRIMÕNIO” realizado nos dias 29, 30 e 31 de Maio de 2006. No dia 29 participou da mesa redonda com o tema: “O PATRIMONIO CULTURAL COMO OBJETO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL”, O Diretor Geral do INEPAC Marcos Monteiro. No dia 30 pela manhã houve a apresentação do INVENTÁRIO DOS BENS CULTURAIS IMÓVEIS DE VALENÇA realizado em 2004, pela equipe de técnicos autores do mesmo: Giberto de Lima Monteiro na época Secretário Municipal de Cultura e Turismo, Branca Ribeiro Figueira – Arquiteta, Antonio Carlos de Oliveira Lima – Odontólogo e Pesquisador em História e Adriano dos Reis Novaes – Cientista social e Pesquisador em História. |